Firmes e Constantes no Clamor
SÉRIE “FIRMES E CONSTANTES” | 03/04
FIRMES E CONSTANTES NO CLAMOR
mensagem pregada pelos pastores Marcelo Coelho & Clayton Lista
“Ana se levantou… e, com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor.” (1 Samuel 1.9-10)
Em 1 Samuel 1 encontramos a história de Ana, uma mulher que carregava uma dor profunda. Ela era casada com Elcana, mas não podia ter filhos. Naquele contexto, a esterilidade era motivo de grande sofrimento. Como se isso não bastasse, Ana ainda precisava conviver com as provocações constantes de Penina, que fazia questão de aumentar sua aflição. Apesar dos anos de espera, das lágrimas e da frustração, Ana não desistiu de buscar a Deus. Sua história nos ensina que a verdadeira fé não é demonstrada apenas quando recebemos aquilo que pedimos, mas quando continuamos clamando enquanto a resposta ainda não chegou.
“Deus honra aqueles que permanecem firmes e constantes no clamor.”
Sendo assim, olhando para a história de Ana, o que fazer para permanecer firme e constante no clamor?
Para permanecer firme e constante no clamor…
1. Não deixe a dor calar a sua voz diante de Deus.
“Penina, a sua rival, a provocava continuamente, a fim de irritá‑la, porque o Senhor a tinha deixado estéril. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, a sua rival a provocava, e ela chorava e não comia. Então, Elcana, o seu marido, lhe perguntava: Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está triste o seu coração? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos? Certa vez, quando terminou de comer e beber em Siló, estando o sacerdote Eli sentado em uma cadeira junto à entrada do santuário do Senhor, Ana se levantou e, com a alma amargurada, chorou muito e orou ao Senhor.” (1 Samuel 1.6-10)
Ana enfrentava uma luta que se repetia ano após ano. A dor da esterilidade já era difícil, mas as provocações de Penina tornavam aquele sofrimento ainda mais pesado. O texto mostra que sua tristeza era profunda. Diante dessa realidade, Ana poderia ter desistido, se afastado de Deus ou permitido que a amargura dominasse seu coração. Porém, ela fez exatamente o contrário. O versículo 10 diz que, em sua profunda angústia, ela orou ao Senhor. O salmista declarou: “Na minha angústia clamo ao Senhor, e ele me ouve.” (Salmo 120.1)
“Quem continua clamando em meio às lágrimas prova que sua fé é maior do que sua dor.”
Para permanecer firme e constante no clamor…
2. Aprenda a derramar o coração em vez de apenas repetir palavras.
“Enquanto ela continuava a orar diante do Senhor, Eli observava a sua boca. Como Ana orava silenciosamente, os lábios dela se moviam, mas não se ouvia a sua voz. Então, Eli pensou que estivesse embriagada e lhe disse: Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho! Ana, porém, respondeu: Não se trata disso, meu senhor. Sou uma mulher muito angustiada. Não bebi vinho nem bebida fermentada; eu estava derramando a minha alma diante do Senhor. Não tomes a tua serva por uma mulher perversa; estou orando aqui até agora por causa da minha grande angústia e tristeza.” (1 Samuel 1.12-16)
Quando Ana entrou no templo, ela não fez uma oração superficial. Seus lábios se moviam, mas sua voz não era ouvida. Aquela não era apenas mais uma oração; era o transbordar de uma alma que dependia completamente do Senhor. Ao vê-la, o sacerdote Eli pensou que ela estivesse embriagada. Mas Ana explicou que estava derramando sua alma diante de Deus. Ela não estava apenas apresentando um pedido; estava entregando seu coração. É exatamente esse tipo de entrega que Deus procura. Em Jeremias 29.13 lemos o seguinte: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração.” (Jeremias 29.13)
“Na oração, é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração.” (John Bunyan)
“Deus não se move pelo volume das nossas palavras, mas pela sinceridade do nosso coração.”
“Deus se revela àqueles que o buscam não pela força das palavras, mas pela entrega sincera do coração.”
Para permanecer firme e constante no clamor…
3. Continue confiando antes mesmo de ver a resposta.
“Eli respondeu: Vá em paz, e que o Deus de Israel conceda a você o que pediu. Ela disse: Espero que a tua serva encontre favor aos teus olhos! Então, ela seguiu o seu caminho, comeu, e o seu rosto já não estava abatido. Na manhã seguinte, eles se levantaram e adoraram ao Senhor; depois, voltaram para casa, em Ramá. Elcana teve relações sexuais com Ana, a sua mulher, e o Senhor se lembrou dela. Assim, Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um filho, a quem deu o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor”.” (1 Samuel 1.17-20)
Depois de ouvir as palavras de Eli, Ana voltou para casa, alimentou-se e seu semblante já não estava mais abatido. O detalhe impressionante é que o milagre ainda não havia acontecido. Samuel ainda não havia sido concebido. As circunstâncias permaneciam as mesmas, mas algo havia mudado dentro dela. Ana escolheu confiar que Deus havia ouvido o seu clamor e essa certeza encheu o seu coração de paz. Sua paz não estava baseada no que via, mas na certeza de que Deus estava trabalhando mesmo sem que ela percebesse. Essa é uma das maiores evidências de uma fé madura. Hebreus 11.1 afirma:
“A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” (Hebreus 11.1)
“A paz não é resultado da resposta recebida; a paz é resultado da confiança depositada em Deus.”
Conclusão:
Talvez você esteja olhando apenas para o seu problema, mas Deus está olhando para o propósito que nascerá através dele. Continue firme. Continue constante. Continue clamando. O seu Samuel ainda vai nascer. E quando ele nascer, você entenderá que nenhuma lágrima, nenhuma oração e nenhum dia de espera foram em vão.