A Incredulidade do Povo de Deus

A INCREDULIDADE DO POVO DE DEUS
mensagem pregada pelo Pr. Acyr Júnior
“Mas, então, vocês não quiseram ir. Vocês se rebelaram contra o Eterno, contra a palavra clara do seu Deus. E começaram a se queixar em suas tendas: Deus nos odeia! Ele nos arrastou desde o Egito até aqui para sermos mortos pelos amorreus. É a nossa sentença de morte! Não há como seguir em frente. Estamos num beco sem saída! Nossos irmãos já nos desanimaram, pois nos informaram que o povo da terra é mais alto e mais forte do que nós e que as cidades deles são gigantescas, com defesas maciças. Até os gigantes de Anaque vivem ali! Eu bem que tentei acalmá-los: não fiquem apavorados por causa daquele povo. Nosso Deus está indo à frente, ele lutará por vocês. Vocês viram com os próprios olhos o que ele fez no Egito. Viram também o que ele fez no deserto. Nosso Deus carregou vocês como um pai carrega o filho e fez isso tudo por todo o caminho até chegarem aqui. Mas agora, que estão aqui, vocês não querem confiar no Eterno, o seu Deus – o mesmo Eterno que sempre vai adiante de vocês com uma coluna de fogo à noite e uma nuvem de dia, escolhendo aos melhores lugares para acampar e mostrando o caminho mais seguro. Quando Deus ouviu o que vocês disseram, ele ficou furioso e jurou: nem uma única pessoa desta geração perversa pisará a boa terra que prometi dar aos antepassados. Não vão conhecê-la nem de vista, a não ser Calebe, filho de Jefoné. Ele terá direito à terra. Darei a ele e a seus descendentes a terra que ele pisou, porque se mostrou disposto a seguir o plano do Eterno, de corpo e alma.” (Deuteronômio 1.26-36, AM)
Esta é uma passagem das escrituras que nos apresenta alguns sintomas de incredulidade. Eu queria que olhássemos para o caso desse povo crente, doente, e percebêssemos nele quais são os sintomas que apresentam. Verdade é que, quando nos depararmos com estes sintomas, vamos perceber que a incredulidade desse povo está mais perto de nós do que nós pensamos ou imaginamos, e muitas das atitudes que nutrimos não são ingênuas ou bobas, mas sim, sintomas graves de incredulidade.
No primeiro capítulo do livro de Deuteronômio, Deus ordena que o seu povo se levante e tome posse da terra que ele prometeu sob juramento dar aos seus antepassados. Por orientação do Senhor, inicialmente foram enviados espias, um de cada tribo de Israel para espionarem a terra prometida e observarem o que iriam encontrar e ganhar. O contexto descrito nesta passagem é esse, de quando eles retornam e a reação que eles têm.
Na altura do verso 26, o momento é outro, porém Moisés está relembrando o que aconteceu ali, e Ele começa a nos apresentar os sintomas de incredulidade que o povo demonstrou. O povo tinha a bênção de Deus, tinha uma história com Deus, tinha tudo para crer, avançar e conquistar aquela terra maravilhosa, porém ele se negou a seguir adiante.
Quais são, então, os sintomas que fizeram com que o povo ficasse incrédulo diante da ordem de Deus de seguirem adiante para a Terra Prometida?
1º Sintoma – REBELDIA
Rebeldia neste contexto é a atitude de dar mais valor para a própria percepção, que a percepção de Deus. É quando aquilo que eu acho é mais importante e confiável do que aquilo que Deus diz. É quando você olha uma ordem de Deus e diz: “não, isto é uma sugestão, mas eu tenho a liberdade de fazer de outra maneira”. O povo havia saído do Egito, e, depois de tantos milagres, após dois anos, chegou a hora de olhar para a terra e ficar maravilhado com ela. O povo passou pelo Vale de Escol onde escolherem cachos de uva enormes. No entanto, prestem atenção no que o povo de Deus fez:
“Mas, então, vocês não quiseram ir. Vocês se rebelaram contra o Eterno, contra a palavra clara do seu Deus.” (Deuteronômio 1.26)
O povo tinha os seus motivos para não cumprir com aquilo que Deus mandava, do mesmo modo como você e eu também podemos apresentar, no nosso dia-a-dia, razões para desobedecer. Você pode achar meio arriscado, e era o caso desse povo. Ele descobriu que as cidades eram fortificadas e percebeu que havia um povo avantajado, homens fortes. Porém, qualquer que seja o motivo pelo qual se vê o descumprimento das ordens de Deus é chamado de rebeldia. O povo considerou que a sua possibilidade era melhor que a de Deus. Entretanto, a Bíblia diz:
“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento.” (Provérbios 3.5)
O que é isso de confiar no Senhor e não se apoiar em seu entendimento? É confiar e fazer o que Deus mandou fazer, ao invés de você fazer o que você acha que deve ser feito. Aquele povo estava ouvindo o que Deus estava falando, mas ele tinha as suas razões. E não é assim que acontece contigo também?
Quando você olha para as Escrituras, a maneira como Deus estabelece padrões que devem ser parte de como estabelecemos nossos relacionamentos, o que você faz? Se você faz do seu jeito, isso é rebeldia! Quando você olha o dinheiro que você tem e os recursos que você tem obtido pela graça e misericórdia de Deus e decide fazer com seu dinheiro o que você sabe que Deus não quer que faça; ou você não faz aquilo que sabe que Deus quer que você faça. Isso é rebeldia! Veja o exemplo de Jesus:
“Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres.” (Mateus 26.39)
A visão de Jesus é: Deus mandou, é isso que o Senhor quer mesmo, então vou fazer! Mas você pode dizer: ele era Jesus, o filho de Deus! Então, quero lembrá-lo da experiência de Pedro, que havia tentado pescar a noite toda sem resultado nenhum. Quando aparece Jesus, cuja formação não era de um pescador e sim de carpinteiro, lhe orientando para lançar sua rede novamente, ele argumenta:
“Senhor, pescamos a noite inteira e não pegamos nem um peixinho. Mas, se o Senhor está mandando, vou lançar a rede.” (Lucas 5.5)
Pedro era o pescador e Jesus um carpinteiro, Pedro conhecia de pescaria, mas como era o Senhor quem dizia, ele obedeceu. Isto é o oposto da rebelião. É quando você deixa de fazer o que você acha que deve ser feito, para fazer aquilo que Deus quer que você faça!
2º Sintoma – MURMURAÇÃO
Enquanto a rebelião é seguir um caminho que você considera melhor do que aquele que Deus propõe, murmuração é quando você reclama da proposta e da realidade de vida em que Deus o tem colocado. Preste atenção na reação do povo de Deus:
“E começaram a se queixar em suas tendas: Deus nos odeia! Ele nos arrastou desde o Egito até aqui para sermos mortos pelos amorreus. É a nossa sentença de morte! Não há como seguir em frente. Estamos num beco sem saída!” (Deuteronômio 1.27)
Numa pequena frase povo chamou Deus de traidor e assassino. Por que é que a gente insiste em ficar reclamando o tempo todo? Por que existe tanta murmuração no meio do povo de Deus? Nós conseguimos enumerar uma porção de motivos que parecem fazer sentido, que justificam a nossa reclamação, sem perceber que existe a mão de um Deus bondoso e soberano sobre as nossas vidas. Na verdade, essa simples reclamação é um sintoma de quem não percebe e nem reconhece a mão de Deus cuidando de todos os detalhes da sua vida. O apóstolo Paulo disse o seguinte:
”Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.” (Romanos 8.28)
Se levamos uma vida de seriedade, obediência e devoção a Deus, entendemos que não existe fato que fuja de sua mão soberana. Não existe nenhum acontecimento que seja capaz de nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor! Nada vai nos impossibilitar de desfrutar da vida abundante que Ele oferece. Tiago diz que, mesmo no meio das grandes provações, não cabe a murmuração. Quando cabe a reclamação é porque você não está vendo a mão de Deus. A nossa linguagem não é a linguagem do lamento, e sim a linguagem do louvor. Quando há murmuração é porque há um sinal de incredulidade no meio do povo de Deus.
3º Sintoma – MEDO
Aqui a ideia não é simplesmente de ficar reclamando, mas é deixar-se abater diante das adversidades. Observem que dos doze espias que voltaram, dois deles disseram que a terra era maravilhosa, que produzia frutos fantásticos, que esse Deus que os conduziu ia continuar conduzindo! Dez deles são os pessimistas, e, com o perdão dos pessimistas, quero dizer que esse é um dos piores públicos para se trabalhar. Preste bem atenção no que disse o povo de Deus:
“Nossos irmãos já nos desanimaram, pois nos informaram que o povo da terra é mais alto e mais forte do que nós e que as cidades deles são gigantescas, com defesas maciças. Até os gigantes de Anaque vivem ali!” (Deuteronômio 1.28)
Os descendentes dos Anaquins era um grupo de pessoas consideradas de estatura alta, e os espias olhando para tudo isso, diziam: “Não vai dar!”. Eles estavam morrendo de medo! A abordagem de Moisés revela esse medo:
“Eu bem que tentei acalmá-los: não fiquem apavorados por causa daquele povo. Nosso Deus está indo à frente, ele lutará por vocês. Vocês viram com os próprios olhos o que ele fez no Egito. Viram também o que ele fez no deserto. Nosso Deus carregou vocês como um pai carrega o filho e fez isso tudo por todo o caminho até chegarem aqui.” (Deuteronômio 1.29-31)
Que mensagem fantástica de Moisés. O problema é que o povo só estava olhando para as dificuldades. E toda vez que olhamos demais para as dificuldades, elas ficam cada vez maiores e o nosso Deus fica cada vez menor! Porém, quando olhamos para o nosso Deus, quando o vemos mais de perto, do tamanho que ele tem, as dificuldades, os problemas, as lutas vão ficando cada vez menores. Cada vez mais Moisés tenta encorajar o povo a seguir adiante confiando no Senhor, pois era o Todo-Poderoso quem estava ordenando. Mas o povo estava com medo, apavorado, desesperado. E qual foi a mensagem de Deus para esse povo incrédulo e cheio de medo?
“Quando Deus ouviu o que vocês disseram, ele ficou furioso e jurou: nem uma única pessoa desta geração perversa pisará a boa terra que prometi dar aos seus antepassados.” (Deuteronômio 1.34-35)
A ira de Deus foi tão real, que aquele povo rodou no deserto por 38 anos, até que aqueles que tinham mais de 28 anos morressem. Por que isso aconteceu? Por causa do medo, um sintoma de incredulidade.

“Cuidado para que o seu medo não o faça morrer no deserto!”

4º Sintoma – ARROGÂNCIA
“E as crianças de colo, que vocês acharam que seriam tomadas como despojo de guerra, essas que ainda não sabem distinguir o certo do errado, elas é que entrarão na terra. Sim, seus filhos pequenos serão os novos proprietários da terra que prometi, não vocês. Portanto, deem meia-volta e tomem o caminho do deserto…” (Deuteronômio 1.39-40)
O juízo de Deus tinha chegado, anunciado claramente, letra após letra: por causa da incredulidade de vocês, voltem para o deserto. É exatamente aqui que consigo identificar o quarto sintoma da incredulidade: a arrogância. Vejam o que diz o texto bíblico a seguir:
“Vocês disseram: pecamos contra Deus. Vamos nos levantar e lutar, como o Eterno, o nosso Deus mandou…” (Deuteronômio 1.41)
Agora eles disseram: “vamos fazer o que o Senhor mandou!”. Porém Deus já tinha enviado outra ordem. Deus chamou Moisés e disse: “eu já falei a eles que não vão entrar na terra, que vão morrer no deserto; Moisés fale para eles não irem para a batalha”. Então, Moisés exortou o povo que, ao invés de ouvir a nova Palavra do Senhor, resolve não obedecer. Isso é arrogância e não fé. Quando levamos a nossa vida adiante e achamos que Deus vai estar lá, isso não é fé, isso é arrogância! No verso 43 lemos o seguinte:
“Eu bem que os avisei, mas vocês não deram importância e se rebelaram contra uma ordem expressa do Eterno. De peito estufado, lá foram vocês morro acima.” (Deuteronômio 1.43)
Então, vieram o amorreus, os atacaram e o estrago foi maior! Arrogância!

Expressão de fé naquilo que Deus não falou, ou expressão de fé contra a orientação de Deus, isso não é fé, é arrogância!

Aquele povo, com atrevimento arrogante, trabalhou para seguir a direção que eles achavam que Deus tinha que levá-los. Eles tinham fé na fé deles; é uma incredulidade disfarçada de fé que não glorifica a Deus. O próprio Moisés não entrou na Terra Prometida por conta da sua arrogância. Deus não mandou ele bater e nem falar que ele ia tirar água da rocha. Deus somente falou para ele falar com a rocha. Dessa maneira, ia ficar evidente que era ação de Deus e não dele. Mas Moisés não seguiu a recomendação de Deus. A Bíblia diz:
“Depois de fazer isso, Moisés ergueu o braço e bateu com a vara na rocha – uma vez, duas vezes. E jorrou água. A comunidade e os rebanhos beberam. O Eterno disse a Moisés e Arão: já que vocês não confiaram em mim, não me trataram com reverência diante do povo de Israel, os dois estarão impedidos de conduzir a comunidade para a terra que estou dando a eles.” (Números 20.11-12)
Quanta arrogância! Chamaram a atenção para si, deram um sinal de aparente fé, de serem bem articulados, de conhecedores de geografia e de fontes de águas. Mentirosos, atrevidos, arrogantes! Por isso não entraram na Terra Prometida! A arrogância é mais um sintoma de incredulidade.
Conclusão:
Será que todos nós, de alguma forma, também nos identificamos com alguns desses sintomas de incredulidade? Será que, por vezes, não somos rebeldes, murmuradores, medrosos ou arrogantes? Sobre os acontecimentos com o povo de Israel no deserto, Paulo escreveu o seguinte:
“Esses incidentes são sinais de alerta da nossa história, escritos para que não venhamos a repetir os erros deles.” (1ª Coríntios 10.11)
É uma advertência para nós, povo de Deus do tempo que se chama hoje. Quando optamos por seguir nosso coração e não a palavra de Deus, Ele está dizendo: incrédulo! Quando estamos movidos pelo medo diante das circunstâncias que nos cercam, ao invés de descansar na mão de Deus, Ele está dizendo: incrédulo! Quando fazemos da vida um motivo de murmuração e reclamação porque Deus nos abandonou e nos deixou sozinhos, ele está dizendo: incrédulo! Quando voluntariamente deixamos de lado a orientação de Deus e, em nome da fé, dizemos: “Ele vai abençoar!” ou ainda “Vai dar certo eu sei!”, diante desta arrogância, que tira a glória de Deus e destaca a sua fé, Ele diz: incrédulo! Fé é confiar no que Deus fala, e ponto final!
Infelizmente, fazemos parte do povo de Deus, mas vivemos como se isso não fosse uma realidade. Vivemos como se Deus não fosse o soberano das nossas vidas. Vivemos como se Ele não fosse mais o Deus Onipotente, Onipresente, Onisciente! Vivemos como povo de Deus muito para satisfazer nossos desejos pessoais do que para alegrar o coração do Pai! Vivemos na rebeldia, murmurando, cheios de medo e com o coração tomado de arrogância. Isso tudo é sintoma de incredulidade!
Muitos perguntam: “pastor, quando é que meu deserto vai acabar?”. Talvez o seu deserto nunca acabe, enquanto você não se render e permitir que o Espírito Santo de Deus o cure de todas essas enfermidades. Hoje é o dia em que o Pai deseja escrever uma história nova e cheia de esperança na vida dos seus filhos!

 

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