Igreja Mais Missional

Série de Mensagens – IGREJA MAIS
Igreja MAIS Missional | 05/05
mensagem pregada pelo Pr. Vicente Bomfim
“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28.18-20)
Precisamos estar cientes de que a igreja é missionária. Ela deve pregar o Evangelho até os confins da terra. Também precisamos entender que a igreja tem que fazer discípulos: o que implica numa característica missional de trabalho. Mas, o que é uma igreja missional? Igreja missional é uma comunidade de pessoas que busca intencionalmente cumprir a missão dada por Deus na terra, de alcançar o perdido e transformá-lo em discípulo.
Uma igreja missional é formada de discípulos de Jesus. Não só é formada de discípulos, mas também forma discípulos, lembrando que discípulos são pessoas que não apenas adotam e professam certas ideias, como também aplicam sua compreensão crescente da vida no reino dos céus a todos os aspectos de sua vida na terra.
Esta é a perspectiva trazida por Jesus em Mateus (28:20) “ensinando-os a guardar todas as coisas”. Então, como podemos ser uma igreja mais missional?
Uma igreja mais missional…
1. Precisa de DISCÍPULOS que tenham a QUALIDADE da VIDA de JESUS.
“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos…”
É vivendo diariamente como Jesus vivia que vamos impactar pessoas para o Reino de Deus. A igreja são pessoas e não o edifício onde essas pessoas estão. A igreja não precisa de mais pessoas, mais dinheiro, mais construções e melhores programas, ensino ou mais prestígio. Foi quando esses elementos se mostraram escassos ou inexistentes que a igreja mais se aproximou de sua verdadeira essência. A única coisa de que a igreja precisa para cumprir os propósitos de Cristo na terra é a qualidade de vida que Jesus dá a seus discípulos.
As pessoas da igreja são seus tijolos e massa, que formam um corpo. Quanto mais firmado o corpo, na excelência da vida cristã, maior será a qualidade da edificação da igreja. Comunhão, disponibilidade, caridade, misericórdia, companheirismo, hospitalidade. Com essas qualidades, a Igreja prospera em tudo o que realiza ao longo do processo de tornar clara e disponível na terra a vida de verdade em Jesus. Por isso, devemos fortalecer a qualidade de vida das pessoas que nos cercam através da aplicação da palavra e da demonstração da genuína vida que o mestre nos deu para viver.
Uma igreja mais missional…
2. Anuncia a POSSIBILIDADE de MUDANÇA interior.
“… ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei…”
Cada cristão é parte da igreja: onde ele está, ali está à igreja. A missão da igreja é formar discípulos no padrão estabelecido por Deus. A missão do discípulo é anunciar a possibilidade de mudança interior, em Jesus. Cabe a ele deixar claro a todos o convite de Jesus:
“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.28-30)
A missão da igreja não é um acréscimo ao plano ou algo que pode ser negligenciado ou omitido. A vida eterna flui a partir de efeitos profundos e gloriosos. Essa vida é o resultado de um relacionamento interativo com Deus e com seu Filho Jesus, a partir do qual o cristão passa a ser a habitação do Espírito Santo.
Esse relacionamento interativo com Deus é manifestado fortemente no louvor contínuo à grandeza do Senhor em nossas vidas, na comunhão, no partir do pão, nas orações, na súplica dos santos, no coração arrependido e contrito do pecador, convicto da justiça e da sua misericórdia.
A vida eterna é a caminhada do reino, na qual, em unidade perfeitamente coesa desde o nosso interior, praticamos a justiça, amamos a fidelidade e andamos humildemente com o nosso Deus.
Aprendemos a andar, desse modo, com Jesus. Pois, ele mesmo nos ensina em sua palavra que devemos nos fortalecer nele e fortalecer outros na sua palavra. Ao entender esta chamada, a igreja mais missional precisa criar a possibilidade de mudança interior para todas as pessoas, e, assim construir, um ambiente propício à vontade de Deus onde quer que ela esteja inserida.
Uma igreja mais missional…
3. É RELEVANTE em sua PRESENÇA na SOCIEDADE.
“… Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações…”
Igreja não é o que ocorre nos cultos no templo, mas o que ocorre na vida diária de cada cristão. A vida diária de cada indivíduo vai fazer com que a presença de Deus seja manifesta em meio à sociedade a qual esta inserida. A palavra de Deus nos orienta a fazer discípulos de todas as nações, com isso, pressupomos que a grande comissão de Jesus deve ser levada adiante nas missões transculturais e em outros países.
Essa idéia deve-se, em parte, ao uso do termo “nações” que no original significa “ethne” que em sua semântica, ou seja, uma tradução mais apropriada seria nossa expressão contemporânea “grupos étnicos” ou, ainda, “pessoas de todo tipo”.
Na prática, esse tipo de consideração nos leva a separar as “pessoas de nosso tipo” do universo daqueles que devem ser transformados em discípulos de Jesus. Um erudito, batista, reformado, comenta que Jesus ordena que façamos discípulos, não apenas convertidos. O discipulado exige que sejam abandonadas a identidade e a segurança, para que todos se coloquem sob o senhorio de Cristo. Essa entrega exige mais do que uma simples conformidade com a vida cristã, deve afetar o interior.
A tarefa de converter nações significa que temos de nos dirigir a tudo o que faz um povo ser nação. Ou seja, a política, a educação, e a saúde e até os elementos arraigados de sua cultura. Como discípulos de Jesus, fazemos parte, hoje, do projeto de Deus para o mundo. Mas é preciso lembrar sempre que a execução desse projeto é o efeito que causamos no mundo. Aí a missão flui naturalmente da vida. Assim é a exortação de Paulo aos cristãos de Éfeso:
“… não deem lugar ao diabo. O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade. Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo.” (Efésios 4.27-32)
O foco do discípulo é o Reino de Deus, seu campo de trabalho são as pessoas. O foco dele não está na missão de algum clero ou sociedade, em teologias mortas e ineficazes, mas em vidas. É importante saber que ovelhas geram ovelhas. As tribos urbanas precisam ser alcançadas pelos postos avançados do Reino de Deus. Ou seja, por nós! As verdadeiras ovelhas estão nesses postos avançados de evangelização. É desse modo que Deus fez a promessa a Abraão de que por meio dele e de sua descendência os povos da terra seriam abençoados (Gênesis 12.3).
O efeito externo dessa vida em Cristo é uma revolução moral perene, capaz de transformar toda a vida do homem até que o propósito de Deus para os homens tenha se cumprido. Sendo assim, uma igreja missional precisa se adequar aos propósitos de Deus em sua palavra e incansavelmente aplicar esta mesma palavra para quem está mais próximo, mas, também para quem está longe através de uma presença relevante na sociedade. Uma vez ouvi alguém dizer: “Uma igreja relevante é uma igreja apaixonada e por seu Deus e apaixonante por suas ações!”
Conclusão:
Uma igreja relevante é possível quando não nos amoldamos ao mundo e quando nossas mentes são transformadas a ponto de nos entregarmos em sacrifício santo, vivo e agradável a Deus. Uma igreja missional é possível, quando deixamos de ser apenas convertidos e assumimos uma identidade firmada no discipulado em Cristo.
É assim que vencemos a diferença entre a esperança de vida expressa em Jesus (que é uma realidade bíblica presente numa série de exemplos magníficos de seus discípulos) e a nossa realidade, nem sempre encorajadora. É preciso que se faça perceber essa esperança em Cristo no comportamento pessoal diário, na vida interior de cada cristão e na presença social da igreja na cidade. Jesus nos fez uma promessa:
“Eis que estou convosco, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28.20)
Mais uma vez, a palavra ressalta que Jesus garante a sua presença com os apóstolos, e com todos aqueles que creem nele. A presença de Deus com seu povo sempre exerceu poder transformador na história. A presença do Senhor significa “julgamento e bênção” das nações. Uma vez que nós, seus discípulos, tivermos ajudado outros também a se tornarem discípulos de Jesus, e não nossos, poderemos nos reunir em situações da vida diária sob a presença sobrenatural da Trindade, formando um novo tipo de unidade social nunca antes visto na terra.
A igreja passa a ser relevante, pois a nossa caminhada já não é na terra. A “caminhada” já se dá “nos céus” (Filipenses 3.20), pois os céus estão operando onde quer que nos encontremos, pois somos os que se deixam ser ensinados a “obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mateus 28.20). Sejamos, pois, discípulos de Jesus, com um comportamento novo, com um interior renovado, presentes no mundo, em todo lugar, em todo o momento, com todas as pessoas. Iguais ou diferentes, você e eu somos a igreja missional possível. Influencie o mundo sendo um mensageiro de Cristo.

 

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