Os Perigos de uma Falsa Conversão

OS PERIGOS DE UMA FALSA CONVERSÃO
mensagem pregada pelo Pr. Acyr Júnior
“Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida. Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele. Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Por isso os abati pelos profetas; pelas palavras da minha boca os matei; e os teus juízos sairão como a luz, Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos. Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim. Gileade é a cidade dos que praticam iniquidade, manchada de sangue. Como as hordas de salteadores que esperam alguns, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho num mesmo consenso; sim, eles cometem abominações. Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel, ali está a prostituição de Efraim; Israel está contaminado. Também para ti, ó Judá, está assinada uma sega, quando eu trouxer o cativeiro do meu povo.” (Oseias 6.1-11)
O profeta Oseias acabara de anunciar o irremediável juízo de Deus aos impenitentes reinos de Israel e Judá, dizendo que seria para eles como traça que ataca por dentro e como leão que ataca por fora. Diante do castigo iminente, o povo esboça uma reação de volta para Deus, sinalizando uma conversão ao Senhor. Porém, será que essa volta é de todo coração? Será que essa conversão é profunda o suficiente para livrá-lo da destruição?
O texto bíblico nos mostrará que a conversão de Israel foi superficial. Na verdade, não houve tristeza pelo pecado, e sim pesar pelas consequências do pecado. Israel queria livrar-se do castigo, mas não estava disposto a desvencilhar-se dos seus erros.

“Um arrependimento que lamenta apenas as consequências o pecado em vez de chorar pelo pecado é completamente superficial.”

O dentro da sociedade de Israel estava tão arraigado na prática da exploração econômica, na imoralidade e na avidez de riquezas luxuosas que suas profissões de conversão eram absolutamente vazias. O que vamos tratar hoje é acerca da falsa conversão de Israel. Uma falsa conversão que também atinge o povo de Deus desse tempo. Então, quais são os sinais e perigos dessa falsa conversão?
1º Perigo – Arrependimento SUPERFICIAL
O propósito de Deus na disciplina do seu povo não era a sua destruição, mas a sua restauração. O que Deus esperava era uma conversão genuína, manifestada pelo arrependimento e pela fé. Estes são os dois elementos a conversão. Enquanto o arrependimento é o reconhecimento a culpa, a fé é a volta para Deus para depositar nele inteira confiança. Mas, então, por que o arrependimento de Israel foi superficial?

  • O povo queria livrar-se das CONSEQUÊNCIAS do pecado, e não do pecado

“Vinde, e tornemos ao SENHOR, porque ele despedaçou, e nos sarará; feriu, e nos atará a ferida.” (v.1)
Os judeus estavam preocupados em ser curados, e não em ser purificados. Queriam felicidade e não santidade, uma mudança de circunstâncias e não uma mudança de caráter.

  • O povo queria respostas IMEDIATAS em um aprofundamento da sua EXPERIÊNCIA com Deus

“Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dele.” (v.2)
Israel acreditava que o tratamento divino funcionaria rapidamente. Queriam livramento imediato, apostavam na cura instantânea, buscavam uma solução sem reflexão. Porém, Deus não se contenta com sinais externos, Ele não se agrada de palavras bonitas e corações impenitentes. Ele requer verdade no íntimo. A nação não estava apenas doente, mas se tornaria como um vale de ossos secos. Porém, mesmo diante dos sinais de morte, Deus levantaria o seu povo do pó, seu Espírito sopraria nesse vale de ossos secos e um exército poderoso se reergueria das cinzas da morte.

  • A busca pelo conhecimento de Deus visava mais as BÊNÇÃOS de Deus do que o DEUS das bênçãos

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (v.3)
Israel tinha abandonado a Deus para buscar a Baal, o padroeiro da prosperidade. Eles não estavam interessados em Deus, mas em suas colheitas; eles queriam prosperidade, e não conhecimento de Deus. Essa volta para Deus era apenas uma barganha. Eles se voltariam para Deus, e Deus se voltaria para eles para abençoá-los com chuvas e fartas colheitas. A religião natural era tudo o que eles desejavam. Eles queriam uma boa colheita, mas não queriam a Deus.
2º Perigo – Amor INCONSTANTE
“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Por isso os abati pelos profetas; pelas palavras da minha boca os matei; e os teus juízos sairão como a luz.” (v.5-6)
Deus colocou o dedo na ferida e trouxe à luz a real condição espiritual de Israel. Além de um arrependimento falso, superficial, seu amor por Deus era epidérmico, vacilante, instável e passageiro. Não havia sinceridade em conhecer ao Senhor nem constância em amá-lo. Suas palavras eram bonitas, seu desempenho era irretocável. Externamente tudo parecia perfeito. Porém, Deus sondou o coração do povo e viu que nada era sincero e nada fazia sentido. Eram palavras que brotaram de um coração sem amor profundo e duradouro por Deus. O amor de Israel por Deus era como uma nuvem da manhã e como orvalho da madrugada, que se dissipam rapidamente! Deus não quer que o nosso relacionamento com ela seja constituído de palavras bonitas e de rituais vazios, de corações que se enchem de entusiasmo num dia e no dia seguinte estão frios.

“Um ritual superficial jamais pode substituir o amor sincero e a obediência fiel a Deus.”

No verso 6, temos a comprovação de que a Palavra de Deus é espada de dois gumes, é martelo que esmiúça a penha. Sua palavra é fogo que purifica o ouro, mas queima as escórias. Por isso, diante da pregação da Palavra, os homens jamais poderão ser neutros: ou serão melhores ou serão piores. A Palavra de Deus sempre exige uma resposta. Você nunca pode deixar de tomar uma decisão diante da exposição da Palavra de Deus. Até a indecisão é uma decisão, a decisão de não se decidir, e aqueles que não se decidem pela restauração, decidem-se pela sua própria destruição.
Israel desprezou a misericórdia do Senhor e agora enfrentará os seus juízos. Terão de enfrentar a severidade do Senhor porque desprezaram a sua bondade. Quando o juízo de Deus veio à luz, Israel foi levado para o cativeiro. Porque desprezaram a graça de Deus, receberam o castigo da sua justiça.
3º Perigo – Culto FINGIDO
“Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (v.6)
O profeta mostra, agora, que o falso arrependimento e sua conversão superficial consistiam numa manifestação religiosa com abundantes sacrifícios, mas desacompanhada de uma vida santa. Não havia conexão entre o culto e a vida. Existia um profundo abismo entre o que eles falavam e o que faziam; entre o que professavam e o que praticavam. O povo de Israel queria substituir piedade por religiosidade; quebrantamento por desempenho; amor verdadeiro por rituais sofisticados. Por isso, algumas verdades podem ser observadas neste verso:

  • O culto que agrada a Deus manifesta-se numa RELAÇÃO CORRETA com o PRÓXIMO

O povo estava indo aos santuários e fazendo os seus sacrifícios, mas os seus relacionamento estavam quebrados. Havia injustiça no comércio, opressão dos ricos sobre os pobres, corrupção nos palácios, crueldade nos tribunais, violência nas ruas, prostituição nos altos. O povo estava doente, pensando que seus sacrifícios pudessem substituir a prática da misericórdia. Cultos, congressos, encontros, técnicas, atividades eclesiásticas, discursos, nada disso pode substituir o que Deus pede de nós: que o amemos e que o conheçamos. Isto é conversão. Amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.

  • O culto que agrada a Deus manifesta-se numa RELAÇÃO CORRETA com DEUS

Israel pensava que podia agradar a Deus com seus holocaustos. Porém, Deus não queria apenas holocaustos, ele queria o seu povo; não queria apenas oferendas, mas os seus corações. Não era suficiente conhecer a respeito de Deus, era um imperativo conhecer a Deus. A conversão se expressa num desejo de viver com Deus, não por aquilo que ele dá, mas por quem ele é. Por isso, a conversão de Israel foi um mero “fogo de palha”, porque eles estavam interessados apenas nas bênçãos de Deus. O centro de tudo era o homem, e não Deus.
4º Perigo – Aliança QUEBRADA
“Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim.” (v.7)
A conversão falsa de Israel é evidenciada novamente pela quebra da aliança com Deus. Israel tornou-se uma mulher adúltera e prostituta que troca seu marido por outros amantes. Israel viola sua aliança com Deus e se comporta aleivosamente contra o Senhor. Assim como fora com Adão, Deus também firmou uma aliança com Israel de ser o seu Deus e Israel ser o seu povo. Mas Israel quebrou essa aliança, indo atrás de outros deuses e se prostituindo com toda sorte de idolatria abomináveis. Abandonar a Deus para viver na prática do pecado é um ato de infidelidade; é traição ao Deus que nos criou, nos salvou e no sustenta. Israel pecou contra o amor. Simplesmente virou as costas para Deus para viver de forma descarada no pecado. Israel quebrou a aliança com o Deus o escolheu dentre todos os povos, que o libertou da escravidão, que o sustentou no deserto, que lhe deu a sua lei e os profetas, e que o abençoou com toda sorte de bênçãos!
5º Perigo – Violência DESUMANA
“Gileade é a cidade dos que praticam iniquidade, manchada de sangue. Como as hordas de salteadores que esperam alguns, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho num mesmo consenso; sim, eles cometem abominações.” (v.8-9)
A conversão de Israel para o bem era fingida; mas a sua inclinação para o mal era real. O povo não se voltou para Deus de verdade, mas se voltou para a violência com toda força.  O verso 8 traz o entendimento de que os lugares sagrados que deveriam proteger da violência, promoviam a violência. Gileade era uma das cidades de refúgio, mas agora se converte em cidade da injustiça. Gileade deveria impedir o derramamento de sangue, mas se converte em cidade manchada de sangue. Uma cidade dominada por grandes e terríveis pecados.
O verso 9 traz o entendimento de que os ministros sagrados que deveriam proteger o povo estavam explorando e matando o povo. Os sacerdotes deveriam ser exemplos de virtude, deveriam ensinar o povo a lei de Deus, deveriam orar pelo povo e se colocar na brecha em seu favor. Porém, os sacerdotes se corromperam, tornaram numa horda de salteadores que roubavam os bens e tiravam a vida. Eles deixaram de ser agentes da vida para se tornarem mercadores da morte. Ao invés de serem ministros de Deus, tornaram-se embaixadores do diabo.
6º Perigo – Imoralidade CONTAGIOSA
“Vejo uma coisa horrenda na casa de Israel, ali está a prostituição de Efraim; Israel está contaminado. Também para ti, ó Judá, está assinada uma sega, quando eu trouxer o cativeiro do meu povo.” (v.10-11)
O profeta Oseias arranca a última máscara de Israel, mostrando que não havia arrependimento verdadeiro nem conversão sincera, mas um aprofundamento deliberado na imoralidade. Desde a liderança até os liderados; do palácio à choupana; desde os príncipes até os sacerdotes, a nação toda estava entregue a pecados horrendos. A idolatria levou o povo à imoralidade, e, por causa dessa imoralidade, o povo sofreu amargas consequências.
O verso 10 mostra claramente que o pecado do povo de Deus é mais grave do que o pecado dos ímpios. Em vez de ser luz para as nações, Israel foi envolvido pelas trevas dos povos. Em vez de ser exemplo para os povos, Israel imitou seus pecados mais terríveis. Em vez de viver em santidade, Israel entregou-se à prostituição e à imoralidade. Quando um crente peca, esse pecado é mais grave, mais hipócrita e mais danoso do que o pecado do ímpio. É mais grave porque ele peca contra maior conhecimento; é mais hipócrita porque o crente denuncia o pecado dos outros, mas o comete em segredo; é mais danoso porque, quando o crente peca, mais pessoas ficam escandalizadas e são atingidas.
O verso 11 nos ensina que o pecado do povo de Deus é mais contagioso que o pecado dos ímpios. Judá contaminou-se pelos pecados de Israel e também será ceifado. O juízo de Judá tardará um pouco, mas não falhará. A convivência com Israel contanimou Judá e, como fermento, penetrou em suas entranhas e o ceifou.
Conclusão:
Creio que Deus nos trouxe aqui, neste dia, porque, assim como fora com o seu povo no passado, há uma enorme quantidade de “crentes” que vivem uma falsa conversão. Todos nós, de alguma forma, nos identificamos com alguns desses perigos. Porém a Palavra de Deus ainda é uma palavra de restauração e não de destruição. A decisão por uma conversão genuína, verdadeira, é de cada um de nós. Vamos dar um basta nessa vida de religiosidade e ativismo espiritual que mais desagrada do que agrada o coração de Deus!

“Deus quer você e não as suas performances!”

Uma conversão de verdade requer que abandonemos o arrependimento superficial, o amor inconstante, o culto fingido, a aliança quebrada, a violência desumana e a imoralidade contagiosa. Hoje é dia de nos humilharmos diante do altar do Senhor, pedindo perdão a Ele pela nossa falta de conversão e decidindo render, de verdade, toda a nossa vida a Ele.

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