Vida ou Morte – Qual dessas Palavras você usa para a Correção dos seus Filhos? (21/06/2015 – manhã)

VIDA OU MORTE: QUAL DESSAS PALAVRAS VOCÊ USA PARA A CORREÇÃO DOS SEUS FILHOS?
mensagem pregada pela Pra. Tatiana Ramos
Texto Bíblico: Deuteronômio 11.1-9,18,19,26-28
Como Deus tem nos presenteado com reflexões sobre um tema tão relevante que é a família, pela qual tudo começa! Nenhuma família é ideal, mas todos nascem a partir de um projeto original de Deus, de manter o ser humano saudável, aprendendo de maneira contínua o que é ser um ser humano. Por causa do pecado, a família tem sido deformada, trazendo dores àqueles que deveriam ser cuidados, mas Jesus na cruz pagou o preço para que nossas famílias voltassem ao plano inicial e ressuscitou a esperança de sermos cuidados em família.
Hoje Deus quer mais uma vez nos fazer relembrar como ser família segundo o coração Dele, nos fazendo refletir em sua Palavra de como a correção pode gerar vida ou provocar morte. Não tem como falar de correção, sem entender o seu significado. O dicionário Aurélio conceitua essa palavra como eliminação de erros, defeitos ou vícios e a Palavra de Deus nos ensina que a necessidade da correção acontece para se aprender o que é o certo a fazer. Resumindo, faz parte do processo educacional familiar a correção. É preciso que haja eliminações de erros, mas também aprendizagem para gerar acertos.
Hoje vamos pensar como a correção dos pais aos filhos pode ser um instrumento que gere vida, que gere um ser humano, segundo o coração de Deus ou um instrumento que provoque morte, distanciando tanto quem corrige como quem recebe a correção do projeto inicial de Deus. Lendo o texto base apresentado, podemos aprender algumas lições que nos ajudarão a construir uma família segundo o coração de Deus.
1ª Lição – A correção que gera VIDA é a CENTRADA EM DEUS. A correção centrada em nós provoca morte.
Nesse texto de Deuteronômio há uma descrição, um reforço, uma correção para o povo de Deus. O texto começa falando ao povo para amar a Deus, relembrando das correções experimentadas que serviu de lembretes de como deveriam agir, dando tarefas aos pais de compartilharem, ensinarem e corrigirem seus filhos a partir do que vivenciaram na caminhada com Deus e fazendo refletir que a bênção e a maldição não estão nas mãos de Deus e sim na escolha de cada um.
Uma correção que não está baseada no amor a Deus e seus ensinamentos não produz vida. Se acharmos que a paternidade é algo natural e que acontece porque somos pais, vamos gerar morte, porque não entenderemos que tudo existe para glória do Pai e sem essa percepção corrigiremos para nossa glória e não para de Deus.
Se nós estamos no centro, quem precisa ser preservado somos nós e erraremos a mão, porque nossos filhos precisarão agir como nós, pensar como nós e atrofiaremos a beleza da individualidade de cada ser humano criado por Deus, e a morte, no sentido, de separação dos planos de Deus se instalará em nossa família.
Além disso, quando estamos no comando, a base para educação e correção passa por nós, criaturas contaminadas pelo pecado, que veem o bem e o mal, mas sem a convivência com o Criador. Isso nos fará fazer escolhas que aos nossos olhos serão vida, mas o tempo mostrará a morte.
Precisamos renunciar a centralidade da correção em nós, e entender que o amor a Deus precisa ser exercido por nós na família para a correção de nossos filhos, para que tudo vá bem e haja vida. Você não pode usar a correção para seu beneficio próprio, mas porque você já foi corrigido por Deus e agora Ele lhe dá o privilegio de compartilhar o aprendizado aos seus filhos, ensinando e corrigindo para que seus filhos trilhem, como você, o caminho de vida.
Quantas correções fazemos aos nossos filhos que nada lembram o que aprendemos com Deus, se é que nos relacionamos com Ele. Corrigimos porque nos perturbam, porque queremos mostrar autoridade, para nossa auto afirmação, para manter nossa reputação.
Porém, esse não é o objetivo da correção. Essas atitudes só reafirmam que a nossa maneira de corrigir tem muito mais haver com nosso egoísmo e individualismo do que com o propósito de Deus em usar a correção para mostrar o caminho certo e produzir adoração a Ele.
Temos caído na tentação do mundo, que jaz, que já está morto com o diabo, que exala cheiro de morte, por onde passa, de criarmos filhos para serem bem-sucedidos e não há nenhum mal nisso, desde que Deus seja o motivo e o caminho para isso. Estamos abrindo mão do convívio do Senhor, de suas propostas, para comprarmos fórmulas que tem muito a ver com nosso ego do que com a glória do Senhor, e o resultado não é vida e sim morte. Ensinar filhos a viverem para a glória de Deus deve ser seu objetivo mais amplo e a correção será uma ferramenta para esse objetivo ser alcançado, então sua correção será centrada em Deus e não em você.
Quer produzir vida no processo de correção de seus filhos, comece a adorar a Deus e amá-lo acima de todas as coisas e viva para glória Dele e sua boca transbordará palavras de vida, mesmo em momentos de correção.
2ª Lição – A Correção que gera VIDA ENSINA PRINCÍPIOS. A correção baseada em ensinos supérfluos provoca morte.
Ajustado quem deve ser elogiado na correção, Deus e não nós, precisamos saber o que ensinar aos nossos filhos, para que a correção tenha propósito e seja entendido por eles quando houver a correção. A correção só existe após um ensinamento e a pergunta é: o que temos nos proposto a ensinar? Deus age na vida de nossos filhos para que aprendam, e na nossa vida para que os ensinemos e eduquemos. Se nós pais, resistimos ao agir de Deus, isso afetará profundamente o ensino e correção de nossos filhos.
Nós pais perdemos muito tempo corrigindo coisas supérfluas e com isso perdemos a oportunidade de educá-los a partir de princípios. Falamos tanto em como comer, vestir, arrumar, que estamos exaustos para compartilhar com eles os princípios vivenciados com o Pai e transmitir a eles.
Algo que gosto de sempre compartilhar com as mães iniciantes, é deixar de se preocupar excessivamente em corrigir coisas que podem se aprender com mais idade ou com menos pressa.
Tantas brigas, gritos, castigos, por coisas que só reforçam a nossa insegurança no que ensinar. Somos tão bombardeados de tantos comportamentos que precisamos gerar, que vamos mais exaustos pelo caminho, a mudança de comportamento antes da conquista do coração.
Confesso que errei muito nesse aspecto, por termos adotados as meninas maiores, fiquei tão preocupada em reafirmar meus valores, que perdi a oportunidade de caminhar com elas e desfrutar de sua companhia, parecia que estava perdendo tempo, tantas coisas para mudar e poucas oportunidades de aprender amá-las.
Entretanto, a notícia boa para mim e para vocês é que, em Jesus, sempre é tempo de recomeçar e que seja hoje o nosso tempo de confessar e recomeçar novos tempos com nossos filhos, bênçãos do Senhor. No versículo 8 diz para guardamos os mandamentos e no 19 para ensinarmos aos nossos filhos por onde estivermos com Ele. O primeiro passo é nós aprendermos os mandamentos e depois compartilharmos com nossos filhos, para que possamos ter autoridade para ensiná-los e corrigi-los.
Algumas perguntas importantes para respondermos: Você guarda o mandamento? Você tem tempo de caminhar com seus filhos? E se tem você aproveita para ensinar o quê?
Muitos pais, ao longo da caminhada, ensinam mais os filhos a sobreviverem a esse mundo do que a transformá-lo. Aprendemos a Palavra, mas não queremos que nossos filhos paguem o preço por ela. Os mandamentos do Senhor basicamente são: amor total a Deus que irá refletir em respeito próprio e com o próximo.
O que temos ensinado aos nossos filhos, o jeito brasileiro ou os princípios do Reino, seja qual for o preço a se pagar? O que decidimos ensinar vai gerar vida ou morte?
É preciso coragem para romper com nossas próprias estruturas familiares já vivenciadas, com as várias ciências que temos acesso, mas que muitas vezes estão reforçando princípios do mundo e não do Reino, porém, vai valer a pena criar e corrigir filhos segundo os princípios de Deus.
3ª Lição – A correção feita por PAIS que ASSUMEM SEUS PAPÉIS geram VIDA. A correção de pais ausentes, que transferem ou são negligentes, provoca morte.
Outra dificuldade que encontramos na correção é que os pais estão se ausentando ou negligenciando ou transferindo a responsabilidade na correção dos seus filhos. Ausência de pais na correção pode ocorrer por causa da necessidade cada vez maior de ter coisas em vez de ter pessoas. Em nome das pessoas, nos ausentamos para prover o que elas poderiam viver sem, e, como consequência, no relacionamento pais e filhos, percebemos crianças sem limites, que se mandam, que decidem suas vidas, porque quando alguém deixa de fazer suas responsabilidades, outro sem competência assume, mesmo sem ter condição.
Interessante que nós, adultos, criticamos as crianças por esses comportamentos, sendo que elas são vítimas de pais pós-modernos, que resolveram demonstrar amor com coisas que logo passam e perdem seu valor. Para haver correção, precisa haver disposição de estar presente para saber o que corrigir, daquilo que já foi partilhado no processo educacional.
A ausência pode ser também de correção. Há muitas crianças sendo criadas por pais que não sabem que uma de suas funções, e que faz parte do processo educacional, é a correção. Há muitos pais que se ausentaram de seus papéis para serem amigos de filhos. Transferiram suas próprias carências não curadas para crianças em desenvolvimento. Há negligência na correção pelo simples motivo de os pais não entenderem seu papel. Em um texto do Ministério Público do Rio grande do Sul, conceitua bem qual é o papel dos pais, o texto diz:
“O direito/dever dos pais de educar seus filhos implica, necessariamente, imposição de limites, guardadas as proporções quanto aos motivos, meios e modos de correção, bem como quanto à sua finalidade, que é essencialmente educativa, à medida em que imputam valores imprescindíveis para o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes, o que se constitui, sem dúvida, em um verdadeiro ato de amor.”
As pedras estão clamando literalmente, pais cristãos precisam entender qual o seu papel como pai. Não somos pais para colocarmos foto no facebook e ignorarmos nossa função. Não somos pais, para competirmos com outros como somos bons e o quanto podemos dar materialmente aos nossos filhos. Somos pais para educar, desenvolver o potencial dos nossos filhos e os corrigirem para que glorifiquem o nome de Deus e vivam.
Chega de crianças órfãs de pais vivos. Chega de vivermos de aparência, de fotos e postagens lindas, mas que não se refletem nas comunidades em que nossos filhos estão inseridos. Não podemos jogar a toalha, desistirmos, porque é difícil, deixar a vida passar e nossos filhos se criarem de desenho em desenho, de joguinhos em joguinhos, de amigos em amigos.
Percebemos a transferência dos pais a terceiros através da observação do absurdo número de avós que criam netos, simplesmente por que os pais transferiram essa função para viverem seus próprios sonhos ou correr atrás do vento. Isso é visível nas escolas, igrejas, academias.
Os pais não pedem ajuda no processo educacional, mas exigme do outro correções aos seus filhos que deveriam ser feitas, em primeiro lugar, por eles e reafirmados por outros que exercem autoridade sobre eles. Há pais que transferem tanto que pagam e querem resultado que deveriam ser de suas responsabilidades.
Diante da ausência, negligência e transferência de papéis, hoje Deus nos convida a trilhar o caminho da vida ou da morte. O caminho de vida é assumir nosso papel de pais, e o de morte é continuar nos ausentando, negligenciando e transferindo um dos papéis mais importantes na vida de um ser humano que é o privilegio de cuidar de uma vida.
4ª Lição – A Correção que gera VIDA acontece a partir de RELACIONAMENTOS. A correção que gera morte é o autoritarismo.
Li uma frase em um livro de educação que mexeu muito comigo dia a frase: Correção sem relacionamento provoca rebelião. Que frase verdadeira! Talvez seja por isso que na fase da adolescência há tantos conflitos e rebeldia, porque é a fase que temos mais dificuldade de nos relacionar.
Nosso filhinho já quer voar e nós não sabemos como ajudá-los, protegemos demais e eles se rebelam ou negligenciamos e eles se rebelam para nos chamar a atenção. E, trabalhando com crianças, tenho percebido que essa rebeldia, tão comum na adolescência, está cada vez chegando mais cedo, e a resposta seja poucos relacionamentos e muita correção ou ausência dela.
È função dos pais corrigirem, mas não basta corrigir, precisamos saber como. A Bíblia dá algumas dicas. Primeira dica: conviva com seu filho. A correção está ligada com o compartilhar diário e a correção dos caminhos não obedecidos. Segunda dica: não corrija demais (Efésios 6.4). Esse texto alerta os pais para que não provoquem a ira de tal maneira que eles desanimem. Se olharmos para as ações de Deus para conosco, vamos perceber que Ele nos ensina esse princípio. Deus nos corrige sim, mas não o tempo todo. As misericórdias Dele se renovam todos os dias, não nos punindo constantemente. Precisamos entender isso, pois há momentos que é preciso deixar que sejamos inundados pela misericórdia para que o relacionamento viva e não haja morte. Terceira dica: corrigir não é condenar, é ensinar. Somos rápidos em punir e atrasados em ensinar. Rapidamente vomitamos várias condenações que muitas vezes não vão gerar correção, não vão gerar caminho certo e sim rebeldia. A correção existe para ensinar que aquele caminho não produzirá vida e que a punição é só um lembrete para que na próxima vez os filhos entendam que é melhor escolher o caminho da obediência.
5ª Lição – A Correção com PERSISTÊNCIA gera VIDA. A desistência gera morte.
Penso que esse é o segredo para que a vida vença após um processo educacional. Persistência. Quem é pai sabe que uma das coisas que mais nos irrita é falarmos a mesma coisa na maioria dos dias, mas sabemos também que o que nos deixa mais felizes é ver nossos filhos agindo da maneira que ensinamos.
Só que tem nos faltado a paciência, a persistência para vivermos esse tempo. Temos um péssimo hábito de querer apressar o tempo e de comparar filhos dos outros com os nossos.
Lembro que em uma das minhas sessões de terapia, a psicóloga pediu para que eu convivesse com pessoas que tivessem filhos da mesma idade dos meus. Aceitando a sugestão, percebi que eles viviam os mesmos problemas que os meus. Então, a convivência ficou melhor por saber que era natural, naquela fase, eles terem essas atitudes.
Quando iniciamos o processo de criação de filhos temos que ter princípios a longo prazo, mas temos que ser paciente com o processo. Queremos ver já em nossos filhos, atitudes que não conseguimos ver na gente primeiro.
A falta de convívio com outros pais, a falta de paciência no processo, gera desistência, palavras duras e desnecessárias, e, infelizmente o problema não está neles, está na nossa dificuldade de nos tornarmos crianças, isto é, entendermos o processo de crescimento, de aproveitarmos a essência da criança, tão pura e tão predisposta a aprender o novo, a se lançar em novos desafios.
Entretanto, com a nossa pressa de concluir o trabalho, matamos o lado mais lindo de nossos filhos, e, quando os perdemos, porque eles crescem, olhamos para trás e percebemos o quanto erramos em não persistirmos, em esperarmos o tempo oportuno para florir. Peçamos a Deus para ressuscitar nossa esperança. No livro Teologia da esperança autor nos convida a ariscar a perseverar e a esperar dias melhores:
“Nos riscos deste nosso tempo, a esperança evidência a sua força, que tanto conforta quanto nos habilita a resistir. É confortador manter-se firme sabendo que as decepções não são um indicativo de fim. Antes sinalizam que algo ainda vem. É profundamente corajoso não capitular diante do imutável, mas em atitude de protesto, se manter de pé. Por causa da esperança nós não nos entregamos, mas nos mantemos como seres insatisfeitos e inquietos num mundo injusto e não redimido.”
Conclusão:
Escolha hoje o caminho de vida, através de uma correção centrada em Deus, em seus princípios, assumindo seu papel de pai nesse processo, se relacione e persista em ver as lindas e grandes obras Deus fará na vida de seus filhos e família. Que pela graça de Deus sejamos transformados naquilo que Ele mesmo planejou e que se faz possível na rendição ao nosso Senhor Jesus.

 

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